Almah - Fragile Equality

Gravadora
Laser Company
Ano
2008
Duração
47 min
Faixas
01. Birds Of Prey
02. Beyond Tomorrow
03. Magic Flame
04. All I Am
05. You’ll Understand
06. Invisible Cage
07. Fragile Equality
08. Torn
09. Shade Of My Soul
10. Meaningless World
Integrantes
.Edu Falaschi: Vocals
.Felipe Andreoli: Bass
.Marcelo Barbosa: Guitar
.Paulo Schroeber: Guitar
.Marcelo Moreira: Drums
Por Edson Rocha
21/09/2008


Era o início da turnê. Ou o término, não me recordo bem. O Angra fez um show lotado num ginásio aqui em Brasília. A banda tocou duas músicas que fariam parte do novo trabalho dos caras, o Temple of Shadows, que nem tinha sido lançado ainda. Como eu não havia escutado as faixas, fiquei viajando e não entendi bulhufas do que eles estavam tocando. Não que o som estivesse ruim ou algo do tipo. Simplesmente eu não compreendi a execução das músicas, uma delas “Spread Your Fire”. Foi assim que me senti ao ouvir Fragile Equality pela primeira vez, por isso não se surpreenda se você não gostar do álbum logo de cara. Não que seja um trabalho confuso ou complexo, mas porque ele necessita de algumas repetições até que o seu ouvido equalize confortavelmente todas as passagens do CD.

Mas não se preocupe, pois na segunda ouvida você já vai estar entendendo algumas melodias, na terceira vai estar cantando alguns refrões e a partir da quarta o negócio vai começar a fazer quase todo o sentido. Digo “quase” porque a cada ouvida você vai percebendo novas melodias, o seu ouvido vai ‘equalizando’ melhor o conteúdo do álbum. Aquele teclado, aquele fraseado de guitarra, aquela linha de baixo e etc, que tinham passado despercebidos, começam a ser notados mais claramente.

Antes de destrinchar faixa-a-faixa, se você prefere algo mais resumido e comparativo, pense numa mistura de Helloween (fase mais dark e pesada), Metallium, Kamelot, Blind Guardian e, claro, Angra/ Shaman, sem com isso “gama-rayrizar”, quer dizer, plagiar nenhuma dessas bandas. Se não bastasse, ainda temos uma pegada progressiva-técnica bem forte, cortesia dos ‘guitar heroes’ Marcelo Barbosa e Paulo Schroeber. E se não bastasse tudo isso, todo o conteúdo musical está envolvido numa produção pesadíssima, com bumbo e baixo sugando as forças dos subwoofers (recomendado para acordar os vizinhos).

Fragile Equality começa com a explosiva-martelante-dinamitante e todos esses clichês qualitativos, “Birds of Prey”. Os ‘backing vocals’ lembram o Metallium, bem true mesmo. Os sintetizadores utilizados de forma mais dark contrastam com o refrão, que é acompanhado de um fraseado melódico, e assim também é o seu solo. “Beyond Tomorrow” vem em seguida com o mesmo tom dark dos teclados. Nos primeiros instantes é bem pesada e cadenciada, mas estoura num refrão raivoso simplesmente fantástico de Edu. É mais uma faixa pesada e direta. “Magic Flame” começa mais ‘amena’, com vocais bem limpos. Essa lembra mais Helloween: refrão com a presença dos dois bumbos e fraseados mezzo alegres. Seu primeiro solo é fantástico, bem clássico. “All I Am” é uma power balada, com violão e guitarras juntas. Lembrou-me alguma coisa de Shaman antigo, o seu piano/sintetizador. Não poderia faltar nela o solo melódico estilo Slash na ’capela no meio do deserto’. Muito boa essa balada. A próxima, e para mim a melhor de Fragile Equality, é “You´ll Understand”. Os trovões em seu início, para quem tem um som 5.1, são impressionantes. Depois vem um cravo sintetizado (claro) matador, pois prepara a abertura da música, como se fosse o instante que precede o levantar das cortinas do início de uma ópera. Aí explode a fúria pesada num riff avassalador, muito bem encaixado com o sintetizador sinfônico. Poderia muito bem ter sido feito um arranjo orquestrado para ela, apesar de com isso ficar ainda mais parecida com Kamelot. É uma faixa perfeita. Depois dela, o momento ‘brasilis’. A percussão e a viola dão a sensação de que você está entrando num ambiente rural. “Invisible Cage” não é uma música rápida, está mais apoiada num trabalho de percussão discreto, lembrando um pouco “Morning Star” do Temple of Shadows. A faixa-título é a próxima. Ela começa bem progressiva, mas... de súbito: um riff com palhetadas thrash acaba com a calmaria. O interessante dela é a sua ida de um extremo ao outro, alternando a rapidez quase thrash com momentos progressivos, se aproximando do Dream Theater. O refrão é o mais pegajoso do álbum. É uma música onde o dia e a noite duelam. “Torn”, a seguinte, também começa pesada e rápida, num riff bem thrash (que volta no decorrer dela). Apesar disso, ela tem uma bridge meio metalcore. Seu refrão mais melodioso tem a ajuda de sintetizadores, e seu solo é um dos melhores do álbum: rápido e apocalíptico, como o coro que o segue. “Shade of my Soul” é outra power balada. Essa é mais lenta e ‘sentimental’ que a anterior, para as meninas verterem lágrima. O violão é bem importante nela, mas o refrão é o seu clímax. Para finalizar (tomara que você não esteja cansado de ler), a beeeem true melódica, se as duas palavras podem coexistir, “Meaningless World”. Totalmente rápida e melódica, com algumas reminiscências de "Z.I.T.O", é a música pra fechar com chave de ouro. Na passagem instrumental pós-refrão os instrumentistas dão seu showzinho, ou seja: baixista, guitarristas e baterista “fritando”.

Se eu terminar assim vocês pensarão que Fragile Equality não tem nenhum defeito e estamos diante de um álbum perfeito. Bom, é quase isso, mas como muitos que ouvirão, eu também gostaria de expressar alguma opinião sobre o que eu senti falta nele. Apesar dos instrumentistas exemplares, não há muito espaço para essa demonstração de técnica instrumental em Fragile Equality. Gostaria de ter ouvido algumas ‘mini jams’ ao longo do álbum. Outro ponto que gostaria de destacar como uma falha diz respeito à mixagem, que deixou as bases e leads de guitarra muito acanhadas, quase inaudíveis: baixo e bateria lá em cima e guitarras sufocadas. Mas não é sempre que isso acontece.

Deixando essas sugestões para trabalhos futuros (olha como sou metido, achando que eles vão me ouvir), teríamos um álbum nota 10. Edu e cia estão de parabéns. Enquanto a sua outra banda está de molho, ele continua seguindo em frente mostrando que tem muita disposição e criatividade. PS: destaque para a excelente capa baseada no game ‘Starcraft’.

Nota

9.0

Redator

Nota

9.0

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Votos: 105

  • Andre_Bom disse: _

    Top
    otimo cd... muito bom msm... uma muika completa a outra... tomara q todos proximos cds sejam iguais ou melhores que esse !
    31/12/2008 - 01:36
  • Felipe disse: _

    Sr
    Este album ficou muito bom mesmo! Me surpreendi com a qualidade!
    Parabéns caras!
    12/10/2008 - 02:26
  • Lu Coelho disse: _

    Parabéns
    O Almah mostrou que o metal nacional tem músicos competentes e capazes de fazer um trabalho de primeira linha. Gravaram tudo aqui no Brasil (é galera, temos bons estúdios) e a arte do encarte está show! Sucesso ao Edu e Cia (obs: Felipe está cada vez melhor! Que baxista!!!).
    04/10/2008 - 20:37


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