Nervus
31/01/2006
Praticando o puro e simples Rock'n Roll, cru e barulhento, o Nervus vem para agitar e quebrar tudo, bem ao estilão do Motörhead. Sem se importar com rótulos (aliás, se importando, como vocês verão logo abaixo nesta entrevista), os mineiros estão divulgando sua nova demo, La Maldita Aventura, onde o título foi tirado de uma música do Brujeria. O Nervus está se preparando aos poucos para gravar seu debutCD, mas antes querem lançar uma nova demo para ver como as coisas sairão. É num espírito bem Rock'n Roll que entrevistamos o baterista Ricardo Lanza e o baixista e vocalista Giuliano Toniolo (que também toca no Chakal), ou seja, sem frescuras e bem direto!
Novo Metal Webzine - Como surgiu a idéia, a partir de vocês, em formar um grupo que resgatasse a essência da sonoridade setentista? Além disso, quem teve a idéia do nome Nervus? Ele possui algum significado?
Ricardo Lanza - Na verdade, a busca por uma sonoridade da banda passa primeiro pela vontade dos três em resgatar um pouco da crueza embrionária do Rock: bateria, baixo, guitarras altas e vocal. Tudo bem nervoso. É daí que vem nosso nome. No mais, nunca pensamos especificamente nos anos 70. Como é um dos períodos mais férteis na história do Rock, com certeza nos influencia muito. Mas não é nossa única fonte de inspiração e nem acredito que seja uma característica que sirva para nos definir. Na verdade, já ouvimos todos os tipos de rótulos para nos apresentar, mas sempre quando nos perguntam, a resposta é sempre a mesma: “somos uma banda de Rock!”
Giuliano Toniolo - O nome foi concebido em um buteco enquanto a gente conversa sobre fazer um som bem nervoso, daí Nervus.
Novo Metal Webzine - O Motörhead é uma das grandes influências para vocês, tendo seu vocal, claramente, linhas semelhantes às usadas por Lemmy Kilmister, ícone do Heavy/Rock. A que ponto vocês se espelham na musicalidade e também na atitude da banda como influência?
Ricardo Lanza – Realmente o Mötörhead é uma influência muito forte para nós, tanto pela sonoridade quanto pelo o que eu disse na resposta anterior. O Mötörhead respira ao máximo a crueza e a selvageria do Rock. Mesmo dinossauros, mostram como se faz Rock de verdade, sem estrelismos e frescuras. É um grande exemplo.
Giuliano Toniolo – Além do que já foi dito pelo Ricardo, é bom lembrar que o Lemmy é um excelente letrista que traduz bem o mundo de hoje dentro de uma ótica bem interessante, para não mencionar seu grande conhecimento da língua inglesa.
Novo Metal Webzine - A demo mais recente, La Maldita Aventura, foi lançada este ano. Por que vocês resolveram colocar um título em espanhol?
Ricardo Lanza - La maldita aventura é um trecho da letra de “Brujeria”. A idéia de escrever em espanhol surgiu junto com a música. O riff principal dela nos pareceu adequado para ficar gritando “arriba”! (gargalhadas) Acho que o título se encaixa perfeitamente no nosso momento, onde, mesmo com todas as dificuldades, continuamos vivos e seguindo em frente. A maldita aventura de se manter em pé, de tocar Rock no Brasil, essas coisas...
Novo Metal Webzine - A música "Stoned Hearted Woman" ganhou um video-clipe. Por que vocês a escolheram para um clipe? Como foi ter gravado este registro neste formato?
Ricardo Lanza - Um amigo, Leandro Lisboa, nos filmou onde costumamos ensaiar. Foi bacana, porque ele fez praticamente tudo sozinho e só nos cobrou os custos como fita e a tinta para as impressões. Ele animou todo o vídeo, imprimindo cada quadro em folhas de papel. A textura final se aproximou muito da estética do fanzine de xerox. O resultado agradou demais a banda. A escolha da música foi dele, preferimos não interferir.
Novo Metal Webzine - Em “Brujeria”, outro tema encontrado em La Maldita Aventura, vocês abordam em sua letra assuntos relacionados a guerras mundiais. Qual mensagem vocês quiseram passar com essa música?
Ricardo Lanza – Mostrar como a guerra é estúpida, como os homens são estúpidos. Hoje em dia a ciência e a tecnologia nos apresentam um novo mundo, mas todas as culturas, refletidas em seus líderes, ainda buscam meios pré-históricos de se fazer política. Não há limites éticos na busca pelo poder, já que a tortura, o terror e a morte acabam sendo apresentados como meros efeitos colaterais de uma ação justa e bondosa.
Giuliano Toniolo – Peace sells, but who the fuck is buying it?....
Novo Metal Webzine - Por que vocês decidiram gravar uma cover do Kyuss para a música "Green Machine”?
Ricardo Lanza – Esta é uma música que gostamos muito de tocar. Um bom exemplo de nossa definição de Rock'n Roll. Rápido, alto e vibrante. Ela tem uma pegada muito forte e nos contagia bastante ao vivo!
Novo Metal Webzine - Vocês experimentaram algo realmente muito bom para qualquer músico: tocaram para mais de 5 mil pessoas numa festa organizada pela PUC de Minas Gerais. Como foi aquele show? Qual a reação de vocês ao verem aquela imensidão de gente?
Ricardo Lanza – Foi muito bom, apesar de ter sido apenas o nosso segundo show. Ainda estávamos nos primeiros ensaios. Ganhamos a oportunidade porque havíamos vencido um festival de bandas da PUC um mês antes. Valeu para dar um incentivo maior no início, mas tivemos todos aqueles problemas relacionados a abrir para “grandes artistas”.
Giuliano Toniolo – Quando vi aquele monte de gente, pensei: “PUC pariu!”. (risos)
Novo Metal Webzine - Em recente apresentação – ocorrida no Black Vomit Festival –, você, Giuliano, colocou toda sua revolta quanto aos rótulos aplicados para se qualificar estilos musicais. Gostaria que deixasse claro aos leitores do Novo Metal Webzine a sua visão sobre esse assunto. Existe um vilão nessa história?
Giuliano Toniolo – Realmente há um vilão: a mídia que recebe os jabás das gravadoras, nos empurrando suas intermináveis bandas de Rock de propagandas de refrigerante. Vende-se somente uma imagem, um rótulo de supermercado.
Ricardo Lanza – Outro problema, é que as pessoas aceitam esses rótulos com muita facilidade, inclusive no underground. Assim, a cada ano que se passa, vemos o nascimento dos mais diversos subgêneros. De uma banda que faz um som um pouco diferente, o que é positivo, cria-se uma legião de imitadores e logo já temos um novo estilo musical. Só que tudo sem referências, já que se baseia em uma fórmula pré-fabricada. Acho que tudo que é Rock, independente de como é feito.
Novo Metal Webzine - Com cinco anos de estrada, vocês já possuem duas demos gravadas. A quantas anda o processo para a gravação do primeiro registro oficial full-lenght do Nervus? O que podem nos adiantar sobre isso?
Giuliano Toniolo – Na verdade, já são seis anos desde o primeiro show. Quanto ao CD, apesar de termos material para um debut, gostaríamos de gravar mais uma demo antes, para que tenhamos mais opções na hora de gravar.
Ricardo Lanza – Não podemos esquecer também o fator financeiro, já que não é interessante para gente gravar um CD nas coxas. Queremos uma preocupação maior quanto à mixagem e masterização. E todos sabem que não é fácil para uma banda de "Rock pesado" ganhar dinheiro no circuito alternativo. Os planos são de usar esse ano para juntar uma grana e gravar com o Cabelo (produtor e guitarrista do Chakal) em 2007.
Novo Metal Webzine - Vamos falar um pouco sobre o Chakal, banda que o baixista Giuliano faz parte do line-up. Primeiramente, como ocorreu a sua entrada no grupo? Qual foi o seu sentimento em tocar numa banda histórica do Metal nacional e também mundial?
Giuliano Toniolo – Essa parece uma daquelas coisas que estavam predestinadas a acontecer. Muitos fatores contribuíram para isso. Tinha assistido ao show do Chakal na Casa do Conde, onde a câmera me enquadrava num ângulo batendo cabeça o tempo todo. Quando eles precisaram de um novo baixista, lembraram das imagens do show, já que sabiam que eu tocava baixo. A ex-mulher do Korg já havia me emprestado o Deadland e deu o toque neles, que já me conheciam da UFMG. Quando o Korg me ligou num domingo me convidando para um teste, topei na hora. Tirei uma música e no ensaio peguei mais uma. Eles curtiram minha levada e oficializaram o convite.
Novo Metal Webzine - Para você, como é se expressar musicalmente em duas bandas com sonoridades distintas?
Giuliano Toniolo – É muito bom. Tenho a oportunidade de dialogar musicalmente com dois estilos que constituíram minha identidade musical. O Hard/Heavy Rock dos anos 70 e 80 e o Thrash dos anos 80 e 90. Todos esses estilos, apesar de terem suas peculiaridades sonoras, possuem um elo comum em suas atitudes. Rock it, fuck it!
Novo Metal Webzine - A quantas anda o processo de composição para o sucessor do aclamado Demon King? Existe alguma previsão de quando os fãs poderão ter contato com novos clássicos do Chakal?
Giuliano Toniolo – Ainda estamos digerindo Demon King. Em breve começaremos a fazer sons novos. Possivelmente na linha do Demon King. Assim que as coisas novas começarem a pintar, a gente apresenta nos shows.
Novo Metal Webzine - Nas apresentações do Chakal e do Nervus há uma mútua interação de sua parte com o público presente. Como é a sensação de estar em cima do palco dando o máximo de si em retribuição ao apoio dos fãs?
Giuliano Toniolo – Realmente os shows são muito intensos e interativos. Tudo faz parte do tesão de curtir para caralho o que você faz sem preocupar com o que vão pensar. É diversão! Já vi debandadas de ouvidos sensíveis em alguns shows do Nervus quando começamos a tocar, nem por isso foram menos divertidos ou menos intensos. Não gostou? Foda-se! Fazer o que?!
Novo Metal Webzine - Muito obrigado pelas palavras. Sorte com o futuro do grupo. Por favor, deixem suas considerações finais.
Giuliano Toniolo – Obrigado pela oportunidade e espaço para divulgação do nosso trabalho em seu webzine. Pusta abraço pra rapaziada do rock. Façam os sons que “cês” tiverem afim. Acho que é isso que conta. Valeu!
Ricardo Lanza – Também queria agradecer a todas as pessoas que aparecem nos shows para dar uma força, para vocês do Novo Metal Webzine pelo apoio. Quem quiser receber ou procurar informações sobre o Nervus, é só acessar o site (nervus.cjb.net). Todos os nossos contatos estão lá, inclusive um boletim on-line para as pessoas cadastradas. Nosso guitarrista, o Felipe, não pôde responder, mas com certeza também agradece o apoio de todos. Aumentem o som!


