Almah - Parte 2

Por Maicon Leite/Monica Fontes
15/02/2009


A Almah está lançando seu segundo trabalho de estúdio, "Fragile Equality", que vem sendo muito bem recebido tanto pela crítica quanto pelo público. Mais conhecida por ter em seu lineup o vocalista do Angra, Edu Falaschi, a banda foi totalmente reformulada para o lançamento do segundo álbum, e agora conta com Felipe Andreoli (baixo), Marcelo Barbosa (Guitarra), Paulo Schroeber (Guitarra) e Marcelo Moreira (bateria). Confira abaixo a segunda parte feita com o vocalista da banda Edu Falaschi.

Novo Metal - “Fragile Equality” está sendo um sucesso, em termos de criticas e vendas, e não é para menos, pois o álbum além de contar mais uma vez com um grande time de músicos, conta com uma produção arrebatadora e contém muito peso. Como você analisa todo esse interesse no Almah?

Edu Falaschi - Eu fico muito contente por esse retorno, principalmente por ver como as pessoas entenderam o que a gente quis passar, o estilo de som, dos arranjos, a proposta, as letras, tudo.

Novo Metal - Quando você montou este projeto, o que tinha em mente? Era algo que você não tinha liberdade para fazer no Angra, para extravasar alguma idéia diferente?

Edu Falaschi - Eu tenho toda liberdade de expressão artística no Angra. Porém também gosto de cantar coisas mais pesadas, o que não tem nada a ver com o estilo do Angra e como eu respeito e muito a história do Angra e suas características eu resolvi optar por fazer uma segunda banda minha, o ALMAH.

Novo Metal - Em “Almah”, você, além de ter contado com a participação de músicos famosos, tocou e criou os arranjos de praticamente todos os instrumentos. Qual a diferença entre o “Almah” e o “Fragile Equality” nesse sentido, já que este último contou com uma formação fixa?

Edu Falaschi - A principal diferença é que o Fragile Equality teve a mão de todos desde os arranjos até as composições, já no primeiro álbum, foi tudo realmente arranjado e composto somente por mim e além de que a proposta era fazer um álbum bem simples e direto.

Novo Metal - Os músicos que agora o acompanham já possuem uma boa bagagem no cenário metal brasileiro. Como se deu esta junção e como tem sido trabalhar com esta formação até agora?

Edu Falaschi - Esses caras são especiais! Foi a melhor escolha que eu e o Felipe podíamos ter feito.

Novo Metal - Vocês demonstraram ter bastante preocupação com os fãs, criando até um MSN da banda, onde vocês mesmos coordenam, até o recente concurso para a criação da capa de do single “All I AM”. Sendo assim, com certeza vocês demonstram uma preocupação com os fãs, pois é sabido que muitas bandas simplesmente os ignoram. Como surgiram estas idéias?

Edu Falaschi - Você está certo, eu na verdade sempre tive uma grande empatia e carinhos com os fãs! Faço de tudo pra sempre estar ao lado deles. É algo que eu tenho dentro de mim, sempre os respeitei e sempre vou respeitá-los! Eu inclusive gostaria de comentar sobre a minha resposta na entrevista anterior, sobre o Orkut. Algumas pessoas que trabalham comigo ficaram preocupados com minha resposta, pois alguns fãs ficaram tristes com a possibilidade de eu ter generalizado. Ora, é claro e notório que eu me referi SOMENTE aos “espíritos de porco” que habitam e se escondem nas profundezas obscuras do Orkut e usam esse instrumento para difamar e denegrir os artistas do seu próprio país. Isso é uma burrice sem tamanho. Eles não imaginam o quanto atrapalham o crescimento do Heavy Metal brasileiro, tentando destruir vários artistas, principalmente os que estão começando. Eles só vão perceber o mal que fizeram quando não tiver mais volta. O Brasil é um país de terceiro mundo, já é quase impossível as bandas viverem de música, tem que trabalhar com outras coisas. Não tem lugares apropriados para tocar metal, quase não existem profissionais do ramo, a mídia no Brasil é muito mais POP do que outros países, então as dificuldades são mil vezes maiores que na Europa/EUA/Japão, etc. Eu falo isso, com propriedade, pois viajei o mundo inteiro fazendo Heavy Metal e sei como é muito mais organizada, profissional e unida a cena Heavy Metal nos outros países. Por exemplo, a Finlândia, que é um país inóspito, distante de tudo, com uma população infinitamente menor que o Brasil, tem um circuito maravilhoso pras bandas de metal. E várias delas se destacaram mundialmente. Lá, o Nightwish toca em estádios, são POP, por quê? Porque desde o início o público prestigia e dá prioridade as bandas deles, as bandas de seu próprio país. Eu tinha um sonho que poderíamos ter uma cena Brasileira forte e EXPORTANDO dezenas de bandas. Mas cada vez mais me decepciono mais com o que acontece aqui em relação à ruindade de várias pessoas, que se divertem com a tristeza alheia.

Novo Metal - A primeira coisa que se nota ao escutar “Fragile...” é a adição extra de peso! Os riffs estão bem pesados e são uma constante em todo o álbum, além da cozinha ter construído um verdadeiro “muro de metal”. Além disso, sua voz está um pouco mais agressiva em certas partes, e somando-se tudo isso, temos como resultado um grande álbum de metal. Foi proposital tomar estar direção mais pesada?


Edu Falaschi - Sim, esse é o estilo do Almah! Metal trabalhado, pesado, melodioso e direto.

Novo Metal - Vamos falar agora sobre um assunto que tem alvoroçado os fãs do Angra... Depois de toda a polêmica envolvendo o empresariamento da banda, além de brigas internas, foi anunciado que a banda voltará ainda no primeiro semestre deste ano. O que você poderia nos informar sobre a atual situação do grupo? Voltarão com a mesma formação?

Edu Falaschi - A gente está se preparando pra voltar em Maio, tudo indica que será assim, logo começaremos os ensaios pra voltar pra estrada, uma tour de comemoração da volta as atividades e uma certa forma de celebração a história do Angra está sendo montada pra essa tour. Será fantástico, especial e inesquecível esse momento. Quanto a formação em breve todos saberão como será.

Novo Metal - Voltando um pouco no tempo, você tem uma carreira de 20 anos, tempo em que passou pelo Mitrium, Symbols, Venus até chegar ao Angra. Outro detalhe interessante, é que você foi um dos finalistas no concurso para substituir Bruce Dickinson no Iron Maiden. Quais os pontos positivos e negativos nesta sua carreira? O que você espera do futuro?

Edu Falaschi - Eu considero tudo o que aconteceu na minha carreira como ponto positivo, pois mesmo as coisas erradas que fiz serviram como aprendizado. O pior momento, claro foi no período em que eu estava mal da voz e muita gente se aproveitou do aparecimento do YOUTUBE, para tentar me denegrir, foi um certo azar eu ter tido problemas nessa época digital, mas eu sou um guerreiro e enfrentei tudo isso, mesmo com dor, tristeza claro, mas sempre me apoiando nos meus fãs, família e amigos, hoje olho pra trás e me orgulho dessa luta, o Almah está ai, crescendo, mostrando a que veio e o Angra em breve mostrará que tem muito mais a oferecer para a música.

Novo Metal - Edu, você tem bastante ligação com mangás, e inclusive, será lançado um livro sobre mangás, de sua autoria, juntamente com um CD com a parte instrumental do “Fragile...”. Como surgiu esta ideia, e é algo que você já tem contato desde que gravou uma música dos “Cavaleiros do Zodíaco”?

Edu Falaschi - Eu amo o Japão e sua cultura, sempre estive bem ligado a isso, a ideia de escrever um livro conectado com as letras foi minha, após eu me envolver realmente com o mangá através dos Cavaleiros do Zodíaco. Eu ainda estou fazendo, com calma, pois tenho mil coisas pra fazer. O livro sairá na hora certa.

Novo Metal - Quais seus planos futuros em relação ao Almah? Com a volta do Angra, você pretende manter a banda na ativa?

Sim, o Almah continuará com suas atividades, obviamente o Angra é prioridade nesse momento a partir de Maio e tomará maior parte do meu tempo e do Felipe. Mas sempre que possível devemos fazer shows, lançamentos, atividades com fãs, etc. Os sites do ALMAH estarão sempre atualizados com atividades dos membros da banda e eventos próprios. Confiram em www.almah.com.br e www.myspace.com/almahedufalashi

Porém, o próximo momento é do Angra! E vem coisa boa por ai!

Novo Metal - Com qual banda internacional você gostaria de dividir o palco?

Edu Falaschi - Nossa, tem tantas! Def Leppard, Ratt, Accept, Black Sabbath, Metallica, Ozzy, etc.

Novo Metal - Quais são as suas maiores influências e que outro estilo de música você ouve além do metal?

Edu Falaschi - Como cantor Dio e Dickinson, mas como compositor, posso citar Supertramp, Roger Hodgson, e bandas de Hard e Metal dos anos 80. Do clássico, Tchaikovsky e Brahms. Do Pop, Elton John, Beatles, Tears For Fears, etc.

Novo Metal - Saindo um pouco do foco do Almah, temos visto o retorno de algumas bandas mais antigas, como o AC/DC; Heaven And Hell (que na verdade é o Black Sabbath) e Kiss (que vai gravar um álbum de inéditas). Você acha que isso significa que não está havendo uma renovação de bandas de qualidade? Ou seria uma forma de atrair mais público, já que as bandas antigas têm mais de uma geração de fãs?

Edu Falaschi - Eu acho que, na verdade, com a queda das vendas de CDs por causa da Internet, a maioria dos grandes artistas que estavam parados não recebe mais tantos direitos autorais, então eles foram obrigados a voltar à ativa, trabalhar para bancar o padrão de vida deles. Não é o caso do Dio, que jamais parou.

Novo Metal - Muito obrigado pela entrevista, e boa sorte nesta nova fase com o Angra!

Edu Falaschi - Obrigado a vocês pela oportunidada concedida! Um grande abraço a todos!


  • Mais Aprovado!

    Amon disse: _

    Não consigo culpar...
    ...apenas a Internet pelo declínio da indústria musical. Pessoal, parem para pensar um pouco. Nós anos 70 e 80 os lançamentos eram mais ímpares, espaçados, havia uma maior possibilidade de consumo (não estou falando dos importados, claro!), mas a oferta hoje é infinitamente maior, não dá nem para comparar! E é fácil dizer: "não pode consumir, não consuma!" Isso é hipocrisia! Como pode-se pedir algo assim a um país que vive do consumo; quando olha-se pros lados é propaganda de incentivo ao cunsumismo 24h por dia. Complicado assistir a poucos ao seu redor tendo de tudo. Edu compara à Finlândia, um país distante de tudo, menos do seu povo. Ele esqueceu-se de citar que lá tem um dos maiores P.I.B. do planeta, que a educação de lá é tida como a melhor do mundo, ou que aquele país não começou como uma singela colônia de exploração portuguesa (além de uma ilha-prisão e hospício de ricos); e o que dizer dos salários? E fiquemos apenas pela Finlândia. Não se trata de querer o mal de um músico, mas exatamente de poder ter sua arte em mãos. Por que será que a pirataria é grandes apenas em países subdesenvolvidos? Porque é mais fofinho? Mais cômodo? Nada disso! Fãs de heavy metal, quando podem, compram seus itens originais (aliás, a cópia de um original, gravado em estúdio, rsrsrs), com encarte e blá blá blá... caras! Pirataria deveria ser combatida com algo bem simples: baixa de preços! Eu morei em Londres por anos e lá um lançamento - qualquer um! - custa cerca de 8.90 libras, no máximo! E estamos falando de DVDs também. Isso equivale a duas pints e meia (o copo de cerveja consumido no país). E quando deixa de ser lançamento, o cd passa a custa 5 libras ou 2 por 6 libras. Comprei diversos CDs lá, sem medo de ser feliz. Mas aqui no Brasil eu faço assim: compro o que posso e baixo os demais! E no futuro, espero, comprarei alguns desses que baixei. E por que "alguns"? Porque tem muita bosta que eu baixo para conhecer e depois descarto! O que não é o caso do Almah, que tenho os dois cds baixados e, garanto, comprarei os originais um dia... um dia!!!
    Edu, ao invés de falar de "orkuteiros", "ruindade", isso e aquilo, relembre seus tempos de "tape trader", quando não havia grana para você comprar de tudo e daí tu pegava um LP de um brother e gravava para, quem sabe, comprar o teu depois. Ou você nunca fez isso? Bem, eu fiz muito. E eu grava poucos lançamentos porque a demanda era menor. Hoje se baixo mais, é porque temos mais para baixar. Grave essa palavra: "baixar". Assim podemos sonhar com o "baixar", mas dos preços dos CDs. O salário aumento cerca de 10%; a inflação aumentou quase 6%; mas um cd continua custando, no mínimo R$20,00 (lançamento neste preço nem pensar!). Quantos alguém que ganha um salário pode consumir? E quem pode julgar a quantidade que alguém pode?
    16/02/2009 - 09:54
  • Ton disse: _

    caos
    Muito legal o comentario de todos e também concordo com todos, mas acho que o que o Edu quis dizer foi o seguinte: No Brasil a maioria não valoriza o que tem apenas critica, o Brasil é um país que se comparado a outros poderia estar muito a frente do que está, e esse lance de criticas não é bem colocado por quem a faz, eu vi as criticas feitas ao Edu, mas como forma de retalhação. Eu gosto muito do trabalho do Edu e também André Matos, e quando vejo videos de shows deles pelo mundo todo eu me orgulho em saber que o brasil tem essa riquesa, e que os proprios brasileiros não valorizam e preferem ficar vendo 20 caras no palco batendo em latas tocando pacode, e quem realmente merece ser reconhecido porque é bom mesmo no que faz, não é...
    30/05/2009 - 03:26
  • Rodrigo disse: _

    ...
    Fantástica essa sua visão...
    Penso exatamente igual e sem uma vírgula de diferença.

    Compartilhar é legal, como disse em uma comunidade do Almah mesmo.
    Sempre peguei emprestado, copiei para K-7 da rádio, e etc...emprestei e sempre baixarei, tenho pilha de cds originais e compro quando vale, mas muito a pena.

    08/05/2009 - 13:50
  • Eric disse: _

    Realidade
    Concordo em numero e grau com o que disse o Amon...
    o problema não eh somente pessoal, eh governamental..
    posso citar o aumento dos preços dos ingressos dos shows do Maiden em Recife, Manaus e Brasilia. Nessas cidades, a produção dobrou o preço, por axar que terá menos publico, mas com isso soh diminui ainda mais a quantidade de fans que poderão pagar pela entrada. Enquanto os empresarios não estudarem o mercado e a economia, baixando o preço e ganhando mais por vender mais e não por vender mais caro, vai continuar desse jeito!
    18/02/2009 - 16:58


Envie seu comentário

» Faça um uso consciente desse espaço. Comentários com xingamentos, ofensas a outros participantes, propagandas ou uso abusivo de letras maiúsculas, por exemplo, serão apagados.
» Comentários com excesso de erros de português e "internetês" serão rejeitados.
Nome:
Título:
Comentário: