Necrofobia
23/06/2008
O interior de São Paulo ferve Heavy Metal. Muitas bandas estão há muito tempo na estrada, representando e executando um som de primeira qualidade. É nesse perfil que podemos encaixar o Necrofobia. Vencedor da etapa regional do W.O.A Metal Battle, o vocalista e guitarrista da banda Rômulo Ramazini bateu um longo papo com o Portal Novo Metal. Com a palavra, Romulofobia!
Portal Novo Metal - O Necrofobia já tem quatorze anos de estrada. Como você enxerga a carreira da banda durante esse tempo?
Rômulo Ramazini: O Necrofobia começou como toda outra banda, tocando músicas covers de bandas que curtíamos. E depois naturalmente começamos a compor músicas próprias, e cada vez mais criando uma identidade. Hoje, pra quem conhece, se eu colocar um som do Necrofobia dá pra adivinhar que somos nós. Claro que as influências estão ali no meio dos acordes, mas acho que estamos mais fiéis ao que queremos dizer, seja em letra ou na música em si.
Portal Novo Metal - Antes do Debut, Dead Soul o Necrofobia lançou quatro demos em formato K7: Necrofobia (1994), Manifest (1995), Auto-Destruição (1996) e Fatos Consumados (1999). Há alguma chance de algumas delas ser lançada em CD?
Rômulo: Acho que não. Nestas Demos têm muito material que gravamos quando éramos moleques. Muita coisa podre, como o cover de “Sociedade Alternativa” do Raul Seixas e músicas como "Não morda meu pau" (risos). Claro que não estou negando o passado, mas o que era bom destes trabalhos a gente aproveitou.
Portal Novo Metal - Então, quais músicas dessas demos foram aproveitadas em Dead Soul?
Rômulo: Aproveitamos: “Shit in fan", Burn Flags Burn, Time out e ”Liders”. “Time Out” anteriormente era a música "Fatos consumados". Mas ela foi totalmente reformulada.
Portal Novo Metal - O Necrofobia participou de duas coletâneas: Gaiola Rock (2000) e In Collection - Star Music (1999). O quanto essas compilações podem ajudar bandas independentes principalmente de, Heavy Metal, no Brasil?
Rômulo: A coletânea Gaiola Rock, foi distribuída regionalmente, então teve um retorno legal, afinal, os vizinhos, a família, os amigos, tinham algum material nosso em mãos. Já o In collection, que atingiu o Brasil todo, como éramos uma banda bem do interior não vimos muito retorno.
Semana passada entramos na coletânea comemorativa do Roça N´ Roll, que foi distribuída para 1000 pessoas presentes. Faziam parte desta coletânea: Korzus, Shaman, Thuata de Dannan, Velhas Virgens, Baranga e etc. Esperamos um retorno muito bom desta coletânea.
Agora o que eu aconselho para as bandas independentes é que se a coletânea não tiver custo, deve-se entrar. Caso contrário guarde esse dinheiro pra gravar melhor, prensar o Cd independente, ou grave bem pra distribuir na Internet. Os tempos mudaram, e o independente não é mais sinônimo de falta de divulgação.
Portal Novo Metal - O release oficial da banda, que consta no site oficial do Necrofobia, aponta o ano de 2001 com muito destaque, já que vocês abriram shows para o Cólera e Ratos de Porão. No ano seguinte, 2002, o projeto do Debut com uma boa qualidade começou a ser idealizado. Uma boa recepção nesses shows fizeram com que vocês realmente partissem para algo maior?
Rômulo: Acho que foi natural. Os shows foram melhorando, as músicas também, a necessidade de um timbre melhor foi nos fazendo melhorar equipamento, e a procura da sonoridade perfeita fez a gente gravar com a máxima qualidade possível na época.
Pela lógica, um Cd sempre tem que ser melhor que o outro. Claro que isso não acontece com bandas que já fizeram o melhor álbum da carreira. Mas com o “Necro”, a gente tenta fazer músicas, shows e até o novo cd nesta lógica, sempre tentando se superar.
Portal Novo Metal - Dead Soul já tem quatro anos desde seu lançamento. Quais foram as críticas acerca deste trabalho no decorrer dos anos?
Rômulo - Sempre tivemos críticas positivas deste CD. Tanto as mídias especializadas quanto a galera que compra. Penso que este material agrada todo mundo que curte metal. Apesar de ser um álbum com 13 músicas, já ouvi muitos comentários dizendo que se ouve o cd inteiro sem enjoar. O Dead Soul é muito importante para nós, e possui músicas que nunca deixaremos de tocar ao vivo. Ele foi um marco na profissionalização da banda.
Portal Novo Metal - Após o lançamento de Dead Soul a banda esteve centrada em shows, certo? Essa lacuna para um novo lançamento é proposital para que o público conheça bem a performance ao vivo do Necrofobia?
Rômulo - Na verdade esse longo tempo sem lançar o novo Cd, é por sem-vergonhice mesmo (risos). Afinal eu tenho um home studio e tenho pelo menos seis músicas do trabalho novo, compostas no final de 2004. Elas podiam ter sido lançadas muito antes. Você sabe, em casa de ferreiro o espeto é de pau (risos). Mas isso foi muito bom, pois esse período de 2004 até hoje, a gente adquiriu muita experiência de palco, e com certeza vai influenciar no novo álbum, que deve vir mais quente, mais próximo de um show ao vivo do Necrofobia.
Uma vez o Renato de um programa de rock de Jaguariúna me disse: "Cara, eu nunca tinha ouvido vocês ao vivo. Está muito melhor que naquele Cd". Isso me deixou bem contente e triste. Afinal, quem só ouviu a gente na Internet ou mesmo em Dead Soul talvez não sinta a energia que a gente passa tocando ao vivo.
Portal Novo Metal - As influências do Sepultura no som do Necrofobia são claras. Não existe como fugir desta que é a maior representante do Metal Brasileiro.
Rômulo: Sepultura é muito foda. Às vezes fico um pouco dividido, mas é só ouvir os cds antigos da banda, assim como Against, o Dante e ver os shows ao vivo deles, que logo vem aquela coisa da minha adolescência: "O Sepultura é a melhor banda do mundo".
Portal Novo Metal - Dead Soul foi gravado em seu próprio estúdio, o Under, localizado em Ribeirão Preto. Quais as vantagens e desvantagens de gravar sua própria banda?
Rômulo : A vantagem é o preço, que é de graça e eu posso achar exatamente o som que quero de cada instrumento, sem pressa, sem pressão. A desvantagem maior é que é um home studio então, muitos recursos eu não possuo, e às vezes o Cd pode não soar tão “gringo” quanto um estúdio profissional faria, mas eu uso a seguinte filosofia: "O melhor equipamento é o que está em suas mãos".
Portal Novo Metal - Quais bandas você tem produzido ultimamente, alguma de maior destaque?
Rômulo : Que eu estou assinando a produção são: Lifetimes e a Rondrakamm (minha outra banda). Mas gravo diversas bandas de muitos estilos, de Emo até Pop Rock.
Portal Novo Metal - Saindo um pouco do foco do Necrofobia, conte-nos Rômulo como é seu trabalho como baterista na banda Cassino Verme Plebe e como cronista na Revista “Publick”?
Rômulo : Eu toco bateria no Cassino Verme Plebe porque eu curto muito o instrumento, mas claro que não tenho muita aptidão. Se ensaiamos, é uma vez por ano (risos). Pois o “guita” mora na Austrália, o baixista estava na Nova Zelândia, o vocalista mora em São Paulo (risos). É mais uma brincadeira, do que uma banda.
Já as Crônicas, quem me conhece sabe que falo muita borracha, falo bobeira pelos cotovelos, então, acabo resumindo meus devaneios em artigos que são publicados mensalmente na revista Publick que é do P-xe, baterista da grande banda Distúrbio Metal.
Portal Novo Metal - Este ano pude presenciar um show do Necrofobia e achei matador. Depois de muitas mudanças em seu line-up, pode-se dizer que hoje a banda vive seu melhor momento?
Rômulo: Com certeza, todos que passaram no Necrofobia, acrescentaram muito à banda. Cada um no seu jeito. Hoje a gente está com a formação mais concreta e coesa e isso reflete nos shows ao vivo. Estamos em nosso melhor momento, tanto em formação, quanto musicalmente, shows ao vivo, divulgação na mídia e notoriedade no cenário de metal.
Portal Novo Metal - Este momento pode ser refletido na seletiva para o Wacken Open Air do interior de São Paulo, onde o Necrofobia foi o vencedor. Com certeza aquele momento foi inesquecível, certo?
Rômulo: Foi sim. Desde que ficamos sabendo que tocaríamos na seletiva de Ribeirão Preto, ficou aquela esperança de que "Já pensou se a gente ganha aqui". E foi o que aconteceu. Então no momento que fomos escolhidos foi uma puta alegria, afinal tocamos com bandas de grande calíbre: Claustrofobia, Lifetimes, Crystal Lake e Midgard.
Portal Novo Metal - Com certeza essa foi uma das mais disputas seletivas de todo o país. Concorda comigo que o interior de SP é um berço de ótimos valores em todas as vertentes do metal?
Rômulo: Sim. O interior é muito rico em bandas de metal. Pena que a mídia em geral, revistas sempre ficam mais focadas nas capitais, e esquecem do interior. Para a gente do interior ter acesso à alguma divulgação é bem mais difícil que muitas bandas que moram em São Paulo. Mas não é impossível. O lance é comer pelas beiradas.
Portal Novo Metal - Quais os planos do Necrofobia daqui pra frente?
Rômulo: Gravar um bom Cd, lançar ele e fazer o máximo de shows possível nas mais diversas localidades, se profissionalizando cada vez mais. E como meta, lançar um novo trabalho todo ano a partir deste.
Portal Novo Metal - Obrigado pela entrevista. Parabéns a banda por representar tão bem o interior de SP por todo nosso país.
Rômulo: Valeu Matheus e toda a equipe do Novo Metal. Aguardem o novo Cd no Necrofobia. Acessem nosso site oficial: www.necrofobia.com.br e nosso MySpace: www.myspace.com/necrofobia. Obrigado!


