Joel Moncorvo

Por Henrique Meireles
03/07/2005


Joel Moncorvo pode não ser um músico conhecido da grande maioria das pessoas, mas ele é altamente conceituado no ramo em que atua e no instrumento em que pratica: contra-baixo. Seu jeito de tocar cativa logo de cara quem nunca o viu antes e quem já conhece seu trabalho sabe que ele não é um músico previsível, pois sempre busca obter um algo a mais em cada passo que dá. Tendo mais de 25 anos de experiência na função de baixista, este baiano possui outra faceta além de músico: ele atua em projetos sociais, como você lerá maiores detalhes logo abaixo. Conheça mais a respeito deste renomadíssimo e carismático baixista nas suas palavras logo abaixo numa entrevista cedida exclusivamente ao Novo Metal Webzine.


Novo Metal – Joel, você é um músico bem conceituado e bastante conhecido no estado em que reside, a Bahia, e especialmente na capital baiana, Salvador. Conte-nos um pouco mais a respeito dessa sua paixão pelo baixo, como e porque começou, enfim, faça um breve resumo da sua vida como músico.

Joel Moncorvo – Comecei a estudar música em 1978 quando tinha 7 anos, na escola São José, aprendendo músicas religiosas e participando de corais estudantis. A escolha do contrabaixo como instrumento se deu em virtude das minhas melodias e arranjos serem voltados para as regiões mais graves. Hoje, venho realizando pesquisas na área do contrabaixo, gravando com várias bandas, realizando Workshows e Workshops, fazendo colunas em sites especializados e divulgando o instrumento.

Novo Metal – Você, inclusive, já chegou a tocar em alguns programas conhecidos da televisão brasileira com bandas relativamente conhecidas na época e de diferentes estilos musicais. Você ainda se lembra de como tudo ocorreu?

Joel Moncorvo – Sim, fazia parte de uma banda baiana chamada Turmalina. Tínhamos acabado de lançar o nosso primeiro LP, Apelo a Igualdade, pela gravadora Continental Chanceller. Em conseqüência disso, fomos convidados para participar de vários programas em nível nacional, além de termos feito vários shows na maioria dos estados brasileiros.

Novo Metal – Como músico, o que mais define seu estilo: a técnica ou o feeling?

Joel Moncorvo – Ambos. Um é ligado ao outro. Procuro executar todos os arranjos com muito sentimento e expressão, mas tudo isso com a técnica necessária.

Novo Metal – Quais as diferenças que você vê nos músicos de hoje para os de sua época, em especial os baixistas?

Joel Moncorvo – Será que estou tão velho assim?! Brincadeira. Acho que a cultura do contrabaixo cresceu muito em todos os estilos. A Internet tem ajudado bastante para esse avanço. Hoje, temos técnicas como o two hands, slaps com variações, tapping e a digitação para o contrabaixo, que está deixando de ser apenas aquele instrumento de fundo, que não se escuta. O baixista, através de solos e arranjos bem elaborados, está transformando o contrabaixo em grande destaque.

Novo Metal – Infelizmente no Brasil não se tem um incentivo à cultura, a se aprender um instrumento e não estou falando de governo. Quero dizer que as coisas não começam de dentro de casa, ou seja, a grande maioria dos músicos não têm/tiveram apoio dos pais o que, ao meu ver é de fundamental importância. O que poderia falar a respeito disso? Isso se aplica a você?

Joel Moncorvo – Não. Sempre tive incentivo dos meus pais. Meu pai gostava de ouvir musica italiana, francesa e MPB da melhor qualidade. Assim fui educando meu ouvido com as músicas que meu pai escutava. Minha mãe, por ser Educadora musical, sempre incentivou o meu interesse pela música, acolhendo meus amigos musicistas, sendo muitos ensaios, inclusive, realizados em nossa residência.

Novo Metal – Atualmente o Luthier MLaghus tem como endorsers você e o guitarrista Ricardo Primata, onde vocês dois atuam em conjunto na banda de Prog/Heavy Metal Slow. Como rolou este lance de parceria?

Joel Moncorvo – Conheço o excelente trabalho do Jacimário (M.Laghus) desde a minha adolescência. Em recente visita à fábrica da M.Laghus, surgiu a proposta de um trabalho em conjunto, sempre baseado na certeza e na confiança de que juntos alçaríamos vôos mais altos.

Novo Metal – Você está investindo pesado no seu marketing pessoal, com propaganda em duas das maiores revistas de música do Brasil, onde uma é especializada em baixo (a Cover Baixo, onde já concedeu uma entrevista) e a outra é uma a maior revista de Rock, a Rock Brigade. será que o retorno esperado já está acontecendo ou você acha isso ainda vai demorar? Qual seu intuito com a divulgação nestas duas revistas?

Joel Moncorvo – Além de atingir um público que não freqüenta shows, ou até que não usa a Internet, acredito que a propaganda ajude o artista a divulgar melhor o seu trabalho. Com relação às matérias e entrevistas, elas mostram o lado humano e real do músico. O retorno está chegando.

Novo Metal – Outra forma de divulgação é através de workshops. Você tem feito muitos workshops ultimamente? Você lembra de algum fato engraçado ou embaraçoso em algum workshop que fez?

Joel Moncorvo – Venho realizando várias palestras, clínicas, Workshops e Workshows em escolas, universidades, shoppings e teatros. Sempre convido músicos para participar e enriquecer ainda mais a apresentação. A receptividade do público é sempre muito positiva. Lembro-me de alguns fatos que marcaram estas apresentações: o primeiro foi na UNEB (Universidade do Estado da Bahia), onde realizei um workshop que teve uma grande participação social, contando com a doação de alimentos, distribuição de preservativos e panfletos com informações sobre a AIDS e conscientização para a doação de sangue para o Hemoba (N.R.: Hemocentro da Bahia). Também realizei um workshop no Shopping Center Lapa, em Salvador, no qual tive a visita de portadores de deficiência visual. Um outro serviu como prévia para o Workshow do guitarrista Andreas Kisser (Sepultura), no teatro de uma escola daqui de Salvador, sendo assistido em sua grande maioria por crianças e pré-adolescentes. Esse também foi muito marcante, pois quando comecei a tocar sem dar uma palavra, vi aquela garotada que estava gritando e brincando, parando e prestando atenção ao que eu estava tocando como verdadeiros adultos. Isto para mim foi demais!

Novo Metal – Como foi dito anteriormente, você possui uma banda chamada Slow. Fale-nos mais a respeito da banda, planos futuros, enfim, qualquer coisa que envolva a Slow, uma vez que vocês prometem grandes surpresas para o público ainda em 2005...

Joel Moncorvo – A Slow, banda de Prog Metal, está com uma nova formação, tendo como vocalista Bruno Kucera, como baterista o experiente Anadill Júnior e mantendo Ricardo Primata na guitarra, além de mim no contrabaixo. Estamos em fase final da gravação do nosso EP e nos preparando, em data ainda não estabelecida, para fazer uma turnê na Alemanha.

Novo Metal – Uma forma de se aprender não somente música, mas qualquer coisa é ensinar. Você dá aulas para iniciantes de baixo, baixistas que possuem noção e até mesmo àqueles que já têm um conhecimento avançado no instrumento. Quais as dificuldades que você encontra em ensinar para estes três perfis de pessoas? O que você tira de proveito desse momento quando está frente a frente com um aluno passando técnicas, conhecimento, etc?

Joel Moncorvo – Eu me vejo no aluno. Entendo toda a sua ânsia e desejo de estar logo improvisando e compondo algo. Só encontro dificuldade, em casos raros, quando o aluno não faz o seu papel, que é o de estudar. Familiarizar-se com o instrumento é primordial. Ver nele um amigo, um parceiro, é o começo da grande jornada em busca da variedade sonora. Oriento o aluno no uso do metrônomo e sempre tenho o auxílio de uma bateria eletrônica, na qual faço várias programações, sempre simulando vários ritmos e acompanhamentos. Em casos particulares e para alunos com mais conhecimento, as aulas práticas também são realizadas em estúdios onde eles poderão estabelecer contato com uma banda.

Novo Metal – Uma outra atividade que você está engajado é num projeto social muito louvável, onde certamente você está aprendendo muito também que é um projeto junto a uma instituição de deficientes auditivos. Fale-nos mais a respeito disso e do motivo pelo qual resolveu fazer este projeto.

Joel Moncorvo – Minha mãe é Educadora de deficientes auditivos e venho acompanhando de perto o seu envolvimento e trabalho na área da Educação Especial. Recentemente, participamos de uma pesquisa na qual encontramos respostas positivas quanto ao envolvimento da criança surda com a música. O trabalho que estou desenvolvendo é basicamente de expressão corporal para as alunas e aprendizagem do contrabaixo para os alunos. Ofereço estas atividades enfatizando o ritmo para que possam trabalhar o potencial do seu corpo e resíduos auditivos.

Novo Metal – Você já pensou em gravar um disco solo? Discos de guitarristas temos muitos aí afora, onde a grande maioria soa como cópia ou de uma da outra ou dos mais consagrados guitarristas, mas de baixistas poucos se arriscaram neste meio.

Joel Moncorvo – Sim, já tenho um projeto instrumental em andamento, no qual terei a participação de grandes músicos e muitas novidades na área do contrabaixo. Deverá ser lançado logo depois do EP da Slow.

Novo Metal – Quais os baixistas que você destacaria atualmente? Quais aqueles que são suas maiores influências?

Joel Moncorvo – Venho acompanhando a trajetória de muitos baixistas brasileiros e percebo como eles estão mostrando o seu trabalho musical através do aperfeiçoamento de técnicas, vídeo-aulas, construção de sites, Cds, workshops. Admiro muito também o trabalho do Luis Mariutti (Shaaman), Rodrigo Nunes (Drowned), Felipe Andreoli (Angra), Márcio Medeiros (Veuliah), Chico Gomes, Celso Pixinga, Geddy Lee, Steve Harris, Buny Brunel (Project Cab), Victor Wooten, Alain Caron e Adan Nitti. Aprendi muito escutando baixistas como: Geddy Lee, Steve Harris e Carlinhos Marques (Acordes Verdes - Bahia).

Novo Metal – O que você falaria para quem quer começar a tocar algum instrumento hoje e em especial o baixo?

Joel Moncorvo – Parabéns, sejam bem-vindos ao maravilhoso mundo dos graves. Procurem bons profissionais, escutem todos os estilos musicais possíveis, andem sempre com músicos mais experientes e que possam lhes passar conhecimento e sabedoria. Leiam bastante sobre os músicos eruditos e populares, pois o conhecimento vem da pesquisa, da prática, do esforço de cada um, do desejo de fazer bem feito.

Novo Metal – Joel, agradeço pelas honrosas palavras. Espero que você continue ganhando espaço na mídia nacional e que tenha o seu devido lugar no hall da fama dos baixistas, músicos estes que, juntamente com os bateristas e tecladistas (na sua grande maioria) são ofuscados pelos vocalistas e guitarristas. Deixe uma mensagem final aos leitores do NovoMetal.com, fãs da Slow e baixistas.

Joel Moncorvo – Agradeço a você, Henrique, e a todos amigos do NovoMetal.com pela oportunidade desta entrevista. Deixo para todos um pensamento do Mendelssohn: “Nada pode impedir-me de apreciar e desenvolver tudo o que os grandes mestres deixaram atrás de si, porque não faria sentido para cada um recomeçar do princípio; mas é preciso que seja um desenvolvimento ao melhor nível das minhas capacidades e não uma repetição inútil do que já foi”. Felix Mendelssohn-Bartholdy (n. Hamburgo 1809; m. Leipzig 1947).


  • Mais Aprovado!

    JAMILE GUIMARAES disse: _

    CONTATO C/ JOEL
    Olá, sou esposa de um dos ex-integrantes da Banda Turmalina, o Beto (tecladista) e gostaria de reunir todos no aniversario surpresa dele dia 27/8. Favor quem puder manter contato segue meu e-mail: jamile@cpcomercial.com.br. Obrigado.
    24/08/2009 - 21:22


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