Hangar

Por Rafael Duarte
15/02/2008


Sabe o que acontece quando cinco loucos apaixonados por música se juntam em uma mesma banda? A resposta é uma verdadeira insanidade chamada The Reason of your Conviction, o orgulho do Hangar e um dos melhores álbuns de 2007, que representa o maior passo da banda nestes dez anos de carreira. Carreira esta marcada por longos períodos sem apresentações ou hiatos de vários anos entre o lançamento dos álbuns, graças as obrigações do baterista Aquiles Priester junto ao Angra (que o descobriu, justamente tocando junto ao Hangar). Sem conseguir deixar de ouvir este álbum caçula um dia sequer, os caras do Hangar nos contaram um pouco da ótima fase que a banda vem atravessando e o reconhecimento que eles já conseguiram antes mesmo de caírem na estrada para uma turnê (até o momento da entrevista, só haviam feito cinco shows).

Portal Novo Metal - Vocês acabaram de fazer seu primeiro show internacional, no Paraguai, não é isso?! Conte pra gente como foi a recepção dos hermanos de lá. A banda já tem novas datas por outros países da América Latina ou outros continentes?

Fábio Laguna: Sim, fizemos um show em Assunção no final do mês de dezembro. Desde o momento em que pisamos em solo paraguaio até quando deixamos o país fomos tratados com muito carinho e respeito. Esperamos que a Conviction Tour passe por mais países da América Latina. Estamos batalhando muito para que isso aconteça, mas ainda não há nada definido.

Nando Mello: A recepção não poderia ter sido melhor. Além do público em si, a organização e o profissionalismo da produção que organizou tudo nos deixou muito satisfeitos. O público compareceu já conhecendo as músicas e cantando junto com a banda.

Eduardo Martinez: Pode parecer óbvio, mas fomos recebidos como uma banda internacional, ou seja, da maneira como nós brasileiros recebemos em nosso país as bandas de fora: com muita expectativa e respeito. Fizemos muitos amigos no Paraguai e sei que voltaremos logo. Os fãs de Metal em Assunção são muito loucos e amigáveis! As pessoas com quem falei conhecem muito bem o Metal Brasileiro e sua história. Inclusive a minha!

Nando Fernandes: Foi emocionante e muito produtivo, porque fizemos uma ótima divulgação do nome da banda e, principalmente, do último CD The Reason Of Your Conviction, dando entrevistas nas rádios e nas televisões locais.

Portal Novo Metal - The Reason of Your Conviction é com certeza o maior passo da banda desde o seu começo, em 97. O que nos reserva o futuro da banda? Podemos esperar mais acuidade e assiduidade de vocês em relação ao Hangar, digo, vocês irão prezar para que não haja mais hiatos de seis anos entre TROYC e um novo lançamento ou longos períodos sem apresentações?

Nando Mello: Vamos aproveitar bem este momento e trabalhar muito este CD. Particularmente eu penso em dar continuidade, mas não tivemos tempo ainda de pensar muito sobre isso.

Eduardo Martinez: Sim, a vida começa agora para o Hangar. Tudo que fizemos no passado em termos de música está sintetizado, condensado e elevado à milionésima potência em TROYC.

Fabio Laguna: Digamos que o TROYC é um divisor de águas na carreira do Hangar e na carreira pessoal de cada um dentro da banda. Até o lançamento desse disco o Hangar não recebia a devida atenção porque todos desenvolviam seus respectivos trabalhos paralelos. Soma-se ainda o fato de que só agora consideramos o Hangar uma banda realmente madura, pronta para lançar álbuns de qualidade e pronta para cair na estrada. E por isso estamos completamente focados no Hangar. Mesmo assim prefiro não saber o tempo entre dois lançamentos e, conseqüentemente, quando estaremos na estrada. Quero concentrar-me no fato de que estamos atravessando um momento fantástico e que ainda iremos colher muitos frutos de tudo o que a gente acreditou nesses últimos anos.

Nando Fernandes: Temos que pensar no futuro sim, mas, o momento é de trabalhar e fazer o nome do Hangar cada vez mais forte e tenham certeza de que no próximo trabalho estaremos buscando novas superações e testando novos limites!

Aquiles Priester: Temos muito planos para esse disco e para esse ano. Nosso objetivo é lançar um disco de estúdio por ano até 2010.

Portal Novo Metal - Os fãs já estão querendo um DVD da turnê do TROYC. Vocês pretendem gravar algum show para concretizar a gravação de um DVD? Já pensam em algum lugar onde possa ocorrer esta gravação?

Nando Mello: Sim, já estamos planejando gravar alguns shows e lançar futuramente um DVD desta tour, porém ainda não pensamos onde isto será feito.

Fábio Laguna: Existe uma grande chance que isso ocorra. Por enquanto, precisamos fazer shows para que a possível gravação ocorra depois que a banda estiver mais “amaciada” ao vivo. Estamos registrando todos os eventos da banda através de fotos e vídeos. Com certeza o DVD terá extras muito interessantes.

Nando Fernandes: Hoje em dia gravar um DVD virou parte obrigatória de qualquer processo de divulgação, sendo assim, estamos planejando junto a nossa gravadora a melhor hora e o melhor lugar de se fazer isso.

Eduardo Martinez: Da nossa parte já existe um bônus de extras, com muito backstage, pancadaria, participações ilustres e declarações do contrário. Ele está sendo produzido a todo instante.

Portal Novo Metal - Como vocês conseguiram vencer as dificuldades geográficas para compor de The Reason of Your Conviction como um time, já que todos tiveram participação fundamental na autoria desta obra?

Aquiles Priester: Desde o começo já sabíamos que não seria fácil e isso nos fez aproveitar cada segundo que conseguíamos estar juntos. Lembro-me de ensaios de doze horas compondo e arranjando as músicas durante o feriado de carnaval de 2004. Levamos muito tempo para finalizar esse material para não cair no risco de lançar algo prematuro. Agora nosso tempo é mais curto e não vamos poder lançar um material mais fraco que o TROYC. Agora precisamos nos firmar como uma banda produtiva.

Nando Mello: Acho que a resposta mais correta seria que somos insistentes e perseverantes mesmo. As dificuldades impostas a esta banda tornam-se oportunidades para crescermos ainda mais. Foi assim que pensamos o tempo todo nestes anos pré-lançamento do TROYC.

Eduardo Martinez: Tivemos que pensar bem cada passo, selecionar de forma muito crítica e trabalhar só o que realmente parecia valer a pena. A distância e as dificuldades causadas por ela nos forçaram a seguir um caminho muito prático. A pressão é nossa amiga. O contrário do que parece ser fácil nos dá os melhores resultados. A melhor fase de todas foi após ter gravado todas as minhas partes poder acompanhar Nando e Aquiles “dando vida” ao monstro, verso após verso, durante a gravação das vozes. Tudo finalmente fez sentido e as músicas soaram de uma maneira completamente nova para mim.

Fábio Laguna: No começo da minha história com o Hangar eu fiquei um pouco assustado com o fato de a banda não morar na mesma cidade, ou em estados muito distantes. Mas depois vi que isso era só um detalhe. Às vezes é mais difícil tocar com o vizinho que não está a fim de trabalhar do com alguém que mora a 1000 quilômetros de distância, mas quer fazer a coisa certa.

Nando Fernandes: Essa distância é realmente grande, mas graças a Internet e ao empenho em vencer todas as dificuldades, podemos estar sempre ligados dividindo idéias e atividades dentro da banda.

Portal Novo Metal - Este novo CD é com certeza o orgulho da banda, um indefectível disco de Heavy Metal (para não nos aprofundar em rotulações) e está sendo considerado por muitos veículos (incluindo o Novo Metal) como um dos melhores lançamentos de 2007. Este reconhecimento superou as expectativas de vocês? O que mudou para a banda em relação aos fãs?

Fábio Laguna: Uau!!! Indefectível?! Agora superou todas as expectativas [risos]. Quando fazemos um disco é difícil saber quem ele agradará. Mas se ele não for bom para quem fez, dificilmente terá credibilidade para um ouvinte. A gente sabia que esse seria nosso melhor trabalho pela forma como foi concebido e produzido. Quando o TROYC ficou pronto, não tive a mesma sensação que ocorre muitas vezes quando eu finalizo um disco, tipo, poderia ter ficado melhor. Tanto é que depois que termino um disco, geralmente eu enfio ele na gaveta e só vou ouvir de novo depois de alguns meses. Isso não aconteceu com o TROYC. Desde que ficou pronto ouço toda semana e fico muito satisfeito com o que fizemos. Esse disco não me cansa. É bom do começo ao fim.

Nando Mello: Agradeço as suas palavras. Quando você lança um trabalho é natural que você pense em ter reconhecimento, porém a resposta que o TROYC esta tendo tem sido um estimulo maior para que continuemos a levá-lo o mais longe possível. Os fãs do Hangar estão empenhados em divulgá-lo também e isto tem acontecido, eles fazem parte desta historia e deste CD.

Eduardo Martinez: Como fã de Metal que sou sempre fui muito crítico com tudo que ouvi, e discos absolutamente clássicos como Reign in Blood [Slayer] ou Powerslave [Iron Maiden] sempre assim me pareceram. Ouço o TROYC pelo menos uma vez por dia e ele tem ainda uma qualidade única que eu espero que transcenda nossa época.

Nando Fernandes: Trabalhamos duro pra estar entre os melhores e conseguimos o nosso espaço. Nossa relação com nossos fãs é a melhor possível, porque em todos os shows, logo após o término, trocamos rapidamente de roupas e vamos lá encontrar com todos eles para autógrafos e fotos e, podemos ouvir de suas próprias bocas o que acharam do CD e do nosso show e, digo que até hoje nossa aprovação foi ótima.

Aquiles Priester: Cada vez que escuto esse disco e isso acontece sempre que estou dentro do carro, eu penso: Caralho!!! Como vamos nos superar agora? Tenho medo de soar pretensioso, mas vamos ter que lançar um disco ainda melhor que o TROYC. As primeiras idéias de novas composições já estão me assustado, pois pensei que seria mais difícil, tem fluido muito bem.

Portal Novo Metal - Por ser um álbum conceitual, como vocês fizeram para compor TROYC prezando para que as músicas se encaixassem na mesma ambientação do conceito criado pelo Aquiles?

Fábio Laguna: Foi um caminho de mão dupla. Muitas músicas já estavam esboçadas antes de surgir o tema e elas precisavam de letras que reforçassem a energia que transmitiam. Quando o Aquiles propôs o tema, tudo se encaixou. Ficou mais fácil compor e arranjar as músicas que viriam a seguir.

Eduardo Martinez: Dentro do Metal as músicas do TROYC vão de um extremo ao outro em termos de estilo. A idéia de cenas variadas como num filme pede isto.

Aquiles Priester: Todas as músicas já estavam prontas, com introdução, verso, ponte, refrão e parte instrumental. Só depois disso tudo feito é que começamos a pensar nas melodias e por último vieram as letras. O conceito já existia e como é uma estória seqüencial, tivemos que nos preocupar com a ordem do disco antes de mixarmos o trabalho. A música “Your Skin and Bones” foi a primeira música que fizemos ainda em 2002 e antes seu nome era “Foverer will be”. Mudamos a melodia de todas as partes, refizemos a parte instrumental e só então mudei a letra. Ela é um final alternativo para o conceito e foi a última música que gravamos. Preciso confessar que me surpreendi muito com o resultado dela. Oficialmente o disco termina em “When the Darkness takes You”.

Portal Novo Metal - O que é importante na música para vocês? O que, em sua opinião, precisa ter uma música, quais os detalhes que você atenta ao compor algo novo?

Nando Mello: Que a música seja verdadeira, que seja assimilável a quem a ouve.

Eduardo Martinez: A parte instrumental da música precisa ser forte e interessante o bastante pra se sustentar sozinha. E o vocal tem que superar tudo!

Aquiles Priester: Acho que uma boa harmonia já te dá uma idéia se a melodia vocal será forte ou não. Quando estávamos compondo esse disco, várias idéias iniciais foram abortadas ou mudadas para se encaixarem no conceito musical. A música “Call me in the Name of Death” é uma harmonia muito simples que se sustentava muito bem somente nos acordes do violão. O que chama atenção nessa música é a forma como o Nando interpretou a letra e os arranjos da banda.

Portal Novo Metal - Lendo o diário do website do Hangar, o Laguna descreveu a árdua rotina de ensaios e preparação para os primeiros shows de divulgação de TROYC. E então, quero saber se as músicas do álbum estão funcionando melhor ao vivo, quais que cativaram mais o público e se teve alguma que vocês acharam que seria ótima ao vivo, mas que não funcionou muito bem diante do público.

Nando Fernandes: Todas as músicas do Hangar, mesmo as antigas, funcionam muito bem ao vivo. Nossa maior dúvida é sempre em relação aos covers que vamos presentear os fãs. Tenho notado que “Hastiness” e “Captivity” têm agradado bastante o público tirando, é claro, os clássicos “To Tame a Land” e “Inside Your Soul”.

Eduardo Martinez: Temos tocado também uma música de 11 minutos que nada mais é que uma compilação dos melhores momentos do primeiro álbum, o Last Time. É ótimo perceber que a história da banda ainda cabe inteira no set list. O show é o que eu chamo de “uma paulada do início ao fim”. As músicas mais clássicas e as principais músicas novas são todas rápidas. No entanto temos muitos momentos mais pesados do que rápidos que ajudam na dinâmica do show. O importante como intérprete é buscar sempre a cada ensaio e apresentação a “música dentro da música”; ou seja, tirar o máximo de cada passagem interessante e descobrir novas maneiras de interpretar o que já foi gravado sem se acomodar.

Fábio Laguna: Ainda não há um consenso sobre o set list porque até agora só fizemos 5 shows. A banda ainda está em uma fase laboratorial em relação ao repertório. Claro que algumas músicas parecem que já nasceram para serem tocadas ao vivo, como a “Call Me In The Name Of Death” e a “Captivity”, entre outras.

Portal Novo Metal - Hoje em dia diversas bandas de Metal estão surgindo no país e não conseguem a devida atenção dos fãs (principalmente dos fãs brasileiros). O Hangar vem conseguindo entrar no rol de bandas brasileiras “famosas”, como o Sepultura, Shaman, Angra. E claro que a presença do Aquiles como membro do Angra é significativa nesta ascensão, mas a principal parte é o esforço e vontade de crescer, como o Aquiles mesmo colocou em sua biografia no site, “Onde há uma vontade, há um caminho”. Quais foram os passos mais importantes para a construção deste caminho e os sacrifícios e esforços que vocês tiveram que desempenhar para chegar onde estão agora (e continuar chegando ainda mais longe)?

Fábio Laguna: Acho que o primeiro passo foi não tentar fazer parte de rol nenhum. Nunca toquei em uma banda que estivesse começando que mostrou um décimo do comprometimento que existe no Hangar. É sempre um começo! E é isso que nos dá motivação e vontade de crescer. Fizemos muitos sacrifícios para ter este disco pronto. No mais, tivemos toda a trabalheira que só uma banda que leva sua música a sério sabe o que é. Mesmo as bandas que você citou têm seus altos e baixos na carreira e continuam seguindo as suas vidas, quebrando suas barreiras, acreditando no que fazem... Isso é o mais importante, acreditar. Tem outras bandas que também ficam “famosas” porque têm como bancar uma mídia que as elevem a esse status, mas é o disco que tem que convencer, é o show que tem convencer. E para isso seja possível se gasta muita dedicação, suor, noites sem dormir e claro, dinheiro [risos].

Nando Mello: Eu acho que o fundamental é exatamente esta vontade de crescer. O esforço e o reconhecimento que vimos em cada um dos membros da banda. Eu tenho muito orgulho de participar deste momento da banda, mas tenho muito mais orgulho de ter percorrido este caminho de 4 ou 5 anos sem ter lançado um CD e sem ter feito muitos shows. Foram exatamente estes anos que fizeram com que nos acreditássemos que em um futuro próximo iríamos conseguir lançar um novo disco. Se ele seria um sucesso ou não ninguém sabia, mas queríamos dar o máximo para fazer um bom disco.

Eduardo Martinez: Com a minha banda anterior tive muitos momentos de reconhecimento e me considero um músico muito sortudo por retornar ao metal com o Hangar. No entanto fama e reconhecimento são coisas do momento, é preciso se manter “na ponta dos cascos” a vida toda nessa estrada da música. O Hangar me testou e me escolheu, mas eu também escolhi o Hangar por ser uma banda voltada para a música acima de tudo. Foi isso que me uniu ao trabalho. Toco para ser músico. Mas nada se compara com fazer a própria música ser ouvida e respeitada pelo público mais apaixonado e exigente de todos. Quem curte rock e especialmente o metal sabe tudo que aconteceu desde o Cream até o último lançamento mais brutal possível, e na maioria das vezes ainda é ligado em estilos não comerciais como free jazz, erudito, música contemporânea. A única coisa que passa pela minha cabeça agora é detonar essas músicas noite após noite em todo e qualquer palco do mundo!

Nando Fernandes: Quando fui convidado pra entrar no Hangar, sabia que poderia gravar o grande CD da minha carreira até aquele momento e, foi exatamente o que aconteceu. Com certeza estamos escrevendo boas linhas na história do Metal nacional.

Aquiles Priester: O mais importante nessa banda é a preocupação que temos uns com os outros. Nosso compromisso maior é estar junto e proporcionar momentos que possamos nos lembrar quando não estamos juntos e sentir falta de estar com a banda novamente. O fato de o disco estar indo bem e sendo bem aceito, é conseqüência do que nos propusemos a fazer pela história da banda. Não tenho o menor problema em expor que tivemos que viajar por 45 horas seguidas, pois o orçamento não permitia uma “pernoitada” da banda e equipe num hotel. Nunca tive problemas em começar algo novo, mas preciso estar feliz. Na minha vida nada caiu do céu e se algum dia isso acontecer, vou achar sem sentido e sem graça. Eu preciso suar para depois ver que valeu a pena. Até o Nando que chegou há pouco mais de um ano e meio, entendeu a amizade seria fundamental para sua integração na banda. Se vocês quiserem saber o quanto nos divertimos, acessem www.hangar.mus.br e vejam o nosso diário da tour pelo Nordeste e Paraguai.

Portal Novo Metal - Falando em Angra, o Aquiles vem dizendo que ainda não sabe nada sobre a situação da banda e qual o seu futuro, mas queria saber se o Aquiles está disposto a continuar no Angra e caso a banda continue, se a atenção dele continuará voltada para o Hangar da maneira como vem acontecendo nos últimos meses.

Nando Fernandes: O coração do Aquiles pertence ao Hangar, sempre pertenceu, o Hangar não é um subproduto da banda Angra. Essa banda tem 10 anos de luta, e foi por intermédio dela que o Aquiles foi convidado a entrar no Angra. O momento é do Hangar, assim como foi o Almah para o Edu Falaschi e os projetos paralelos de cada um lá no Angra.

Eduardo Martinez: Durante todo este período do Aquiles no Angra tive sempre em mente que num belo dia de 1999 eu tinha sido convidado, testado e passado já o diabo na banda, que era um projeto inicialmente dele e do outro guitarrista. Um dia Aquiles, Mike e Nando Mello se viram sem o guitarrista e com um CD com guitarras difíceis de tocar nas mãos. Sempre senti o comprometimento de Aquiles. Nunca duvidei que a banda Hangar dependeria da força criativa de todos os integrantes. Sempre achei muito bizarro quando me perguntavam quem era o novo baterista do Hangar! O fato de trabalhar nas composições com calma e distanciamento crítico ajudou a criar o TROYC. Se não fizéssemos do terceiro álbum um marco definitivo na nossa vida não valeria a pena dividir esforços em duas bandas. Eu nunca toquei numa banda com a estrutura do Angra e isso tem que ser conquistado. Eu botei toda a minha alma, grana e suor em cada nota tocada no TROYC, pois só assim poderia dizer depois: “Era isso galera, não me arrependo de nada, se ninguém ouvir pelo menos eu sei que fiz tudo de acordo com meus sentimentos e minhas capacidades até aqui adquiridas”. Agora é só fazer isso pro resto da vida!

Aquiles Priester: Bom, como eu não tenho sido convidado para as reuniões do Angra há algum tempo, acho que não sou eu quem deve responder essa pergunta, certo? Seria precipitado e desnecessário. Estou feliz com o Hangar e com o nascimento do meu filho. Estou bem tranqüilo no momento, preciso ser sincero e dizer que não sei se vai ser sempre assim. Mas como vivo cada dia como se não houvesse amanhã, sempre tenho bons pressentimentos sobre o futuro, especialmente porque acredito que o futuro depende do presente e é o presente que tenho vivido muito intensamente.

Portal Novo Metal - O Laguna, o Aquiles e o Eduardo estão também envolvidos em outro projeto que está sendo merecidamente ovacionado em todo o mundo, o Freakeys. Há planos para um novo CD dessa banda?

Fábio Laguna: Por que não? Se as pessoas gostaram [risos]... Elas adoram coisas bizarras [risos]. Falando sério, vai ser muito legal quando tivermos tempo para fazermos o próximo disco.

Eduardo Martinez: Sim, assim que o Fábio tiver outro acesso criativo gostaria de participar desde o início. Desta forma as guitarras impossíveis que ele criou no teclado poderiam se tornar mais “autorais”, ou seja, de guitarrista. Mas foi um excelente desafio tocar aquelas idéias malucas e incríveis. Gosto de como Fábio pensa e trabalha o material musical. Ele é muito racional e ao mesmo tempo intuitivo. Não consigo pensar em nada melhor para tocar nas suas composições do que as partes que ele mesmo cria, por isso vou esperar que o embrião do Freakeys II surja do mesmo “pai”.

Aquiles Priester: Sei lá esses caras são todos loucos!!! O próximo disco do Freakeys será o disco mais estranho e encardido do “nosso” mundo...

Nando Fernandes: Sempre que posso compareço aos shows do Freakeys para umas canjas e, no final tudo vira festa!!!

Portal Novo Metal - O conceito de virtuose está sendo bastante deturpado hoje em dia, muita gente até colocando feeling e virtuose como opostos, tal qual água e óleo. Talvez a culpa seja de músicos que prezem seus exibicionismos descabidos de técnica em contraponto com aqueles com “pouca” técnica que prezam pela música. Como todos vocês são muito virtuosos e tamanhamente “feelentos”, queria saber qual a opinião de vocês sobre esse assunto.

Nando Mello: Acho que o músico tem que trabalhar pela música, pela composição. É difícil dizer-se um virtuoso, acho que não corresponde ao perfil do que penso sobre uma banda. Um grupo de trabalho tem que trabalhar pensando no resultado final utilizando as suas habilidades individuais, mas obrigado pelo elogio.

Eduardo Martinez: Obrigado pelo “virtuoso feelento”. Gosto de definições e de voltar um pouco na raiz dos termos pra escapar destas deturpações “da moda”. Virtuoso vem de virtude, qualidade. O artista que consegue o resultado desejado por ele ou pelo compositor é um virtuoso. O que acontece no rock é que intérprete e compositor são a mesma pessoa, geralmente. Se a música tem expressividade, emociona e comunica, seja com pouca ou muita nota, na minha opinião, intérprete, compositor e ouvinte estão em sintonia.

Nando Fernandes: Eu acredito muito na emoção, mas sei também que a técnica é importante para você conseguir executar com precisão tudo aquilo que está querendo fazer naquele momento da música. Não se faz um bom cantor só de emoção ou só de técnica, as duas coisas sempre devem estar juntas. Hoje em dia tem muita gente fazendo panetone com 5 kg de frutinhas. Lembrando que virtuoso pra mim é aquele que consegue fazer clássicos mundiais com 3 acordes.

Fábio Laguna: Rótulos! Rótulos! Rótulos! Por que tudo tem que ter rótulo? Não conseguiram rotular o Freakeys e ele se tornou uma aberração da natureza Metal. Meu Deus, o que esses caras fizeram? Conclusão: chamou a atenção. E o melhor de tudo é que gostaram! Não estudei muito sobre música, aprendi na lida e na curiosidade. “Virtuose feelento” é um rótulo carinhoso, mas seria melhor dizer que fazemos música com o coração, e conseguimos sintonizar os batimentos de todos dentro dessa banda, que no TROYC já passaram dos 210 BPM [risos].

Portal Novo Metal - Muito obrigado pela entrevista e espero que em breve eu possa assistir a algum dos shows de divulgação do ótimo The Reason of Your Conviction!

Aquiles Priester: Agradecemos a vocês pelo espaço cedido, pois sabemos que o trabalho de vocês é por ideal. A mídia que expõe o Heavy Metal é muito íntegra, pois faz isso por amor. Acho que todos nós esperamos que a cena metal do Brasil aumente e dê mais espaço para outras bandas que estão nessa batalha e dessa forma poderemos valorizar ainda mais a música do nosso país.


  • Mais Aprovado!

    Rafael disse: _

    CD
    Cara sinceramente... Esse CD tá muito Violento!!!

    curti pacas o som...

    boa sorte pro pessoal do Hangar...

    Valeu...
    17/02/2008 - 12:52
  • RAFAEL disse: _

    Explosão e virtuosidade são as duas palavras que uso para descrever o cd do Hangar. A tempos não escutava um cd de Heavy Metal tão bom. Como baterista fiquei impressionado com as levadas de bumbo duplo e rapidez das viradas.
    Abraços
    Rafa
    03/03/2008 - 12:56
  • Miguel disse: _

    Hangar
    Confesso que me surpreendeu muito esse CD do Hangar.
    É um obra-prima daquelas que merecem todo o reconhecimento. Parabéns ao Hangar.
    19/02/2008 - 09:43
  • DI - KUN disse: _

    Hangar
    Esses caras merecem todo o respeito do mundo, Hangar é uma banda que merece está no topo, não só do brasil mas do mundo.
    18/02/2008 - 17:00


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