Scud
19/09/2007
Marcelo Alelaf, guitarrista e vocalista da banda Piauiense Scud, fala sobre a participação da banda nos festivais que rolam na região nordeste, do cenário, do lançamento do CD Clouds Taken By The Wind, da participação na seletiva nacional para representar o Brasil no Wacken Open Air, na Alemanha e muito mais. O Scud já está com as malas prontas pra cair na estrada na sua primeira turnê que percorrerá quase todas as regiões do país, iniciando neste mês de setembro. Confiram!!
Portal Novo Metal - O Scud participou de uma das cinco seletivas para o Wacken Open Air. Como foi essa experiência?
Marcelo Alelaf - Em termos técnicos foi uma grande experiência para todos da banda, principalmente porque, e pode até parecer incrível, mas foi a primeira vez que o Scud tocou sem o seu equipamento de palco, como a bateria, amplificadores, etc... Com o “frenesi” e o tempo contado para a troca de bandas e tempos pré-estabelecidos para a apresentação já estamos acostumados.
O mais importante para o Scud foi ter sido selecionado para participar de uma seletiva desta importância, pois foram escolhidas apenas 50 bandas de todo o Brasil, e nunca o Piauí tinha levado um representante nestes 7 anos em que o evento ocorre aqui no país. E, sairmos de lá com um terceiro lugar para gente foi um excelente resultado, principalmente porque o nível das bandas estava altíssimo, o que faz essa colocação ganhar mais importância, se bem que sempre falávamos entre a gente que não iríamos competir, e sim, apenas fazer o nosso show com seriedade e nos divertirmos como sempre fizemos em nossas apresentações.
Outras coisas boas foram os contatos com as bandas, apesar de ser, digamos uma “competição”, havia um ar de muita amizade no backstage, sem falar o contato direto com produtores, jornalistas e formadores de opinião, sem esquecer da boa receptividade do público que mesmo sem conhecer o som do Scud, prestou atenção atentamente ao show. A única coisa negativa na seletiva realizada em Salvador foi que eu não consegui comer o “verdadeiro acarajé” bem apimentado que tanto sonhava (risos). Fora isso, foi tudo maravilhoso!!!
Portal Novo Metal - Todo começo de carreira é difícil, mas quando as coisas começaram a acontecer para o Scud, qual foi o melhor momento, onde vocês disseram “agora vai” e qual foi o pior, em que vocês disseram “agora já era”? E o que esses fatos trouxeram de bom pro futuro da banda?
Marcelo Apesar do Scud já ter lá os seus 15 anos de existência, e termos passado um tempo em stand by, acho que só agora, neste momento, a banda começa a alcançar e colher alguns frutos, mesmo que ainda “de veiz”, frutos não maduros (risos). Esse “agora vai” não é muito embutido em nossas cabeças, pois desde o começo sempre acreditamos no nosso trabalho sério e no potencial da banda e o que ela ainda pode evoluir com o tempo, pois ainda estamos na fase de aprendizagem e sempre incorporando algo mais ao nosso som, e posso até garantir, que a melhor fase da banda ainda está por vir...
E o “já era”, eu particularmente ainda não falei e nem pensei, acho que só pensarei ou direi isso, quando esse sonho, e sei que é o mesmo dos outros integrantes da banda, abandonar nossas cabeças... Acho que ainda vai demorar um pouco (risos). Esses anos de trabalho, luta, dificuldades, obstáculos vencidos e outros a serem superados serviram e servem para nos dar “marra”, hoje o Scud esta mais compacto, unido, fortalecido, e principalmente consciente de onde quer e pretende chegar.
Portal Novo Metal - Quando vocês olham o caminho trilhado, vocês se arrependem de algo que fizeram ou que deixaram de fazer?
Marcelo - Hoje vejo, que tudo que aconteceu durante a carreira do Scud até o momento, deveria ter realmente acontecido. Não sou daqueles de ficar olhando para trás e pensando: “Puxa vida! Eu deveria ter feito isso ou aquilo, tomado essa ou outra atitude...”. Vivemos o hoje, e sempre nos preparando para o futuro. Acho que quem vive remoendo ou vivendo do passado é museu (risos).
Portal Novo Metal - Agora, com uma gravadora, quais as expectativas?
Marcelo - Ainda não temos uma gravadora, conseguimos sim, uma distribuidora que é a Voice Music que realmente é uma gravadora, mas nosso contrato com ela é apenas a distribuição. A Voice Muisic tem ajudado o Scud a levar o Cd Clouds Taken By The Wind para lugares inalcançáveis para uma produção independente, como é o caso de que hoje você já pode comprar nosso play pelas “americanas.com” com todas as facilidades que um comprador gosta, tais como comprar no cartão, parcelas, etc.
Além de uma distribuição melhor no sul/sudeste do Brasil, o que é mais difícil ser feita por aqui no litoral do Piauí, além de que, com uma distribuidora é a certeza de que seu trabalho será mais bem aceito pelas lojas mesmo a banda não sendo a “bala da vez” da distribuidora, mas vamos conseguindo nosso espaço a medida que o trabalho vai sendo difundido, e por outro lado é muito bom porque deixa a banda um pouco mais livre pra cuidar de outros setores. Já estamos trabalhando no nosso próximo trabalho, e este sim, batalharemos para conseguir uma gravadora, quem sabe não será a Voice Music mesmo, hein, Sílvio (risos). Pois nossa experiência com um trabalho independente foi ótima, mas notamos que lançar um trabalho “independente” é no fundo, depender de todos e de muitas coisas.
Está previsto para entrarmos em estúdio agora em julho/2007 para fazer uma pré-produção de algumas músicas para servirem de “cartão de visitas” para algumas gravadoras, e também, dependendo do resultado, poderá sair até um Single desses experimentos. Quem sabe?!?!
Portal Novo Metal - O que vocês querem expressar em suas músicas e como esperam que os fãs os vejam?
Marcelo - Gostamos de falar muito da energia interior que todo ser humano tem, e que podemos usar esta força para superar dificuldades. O Fawster Teles, baixista da banda, é o que mais escreve letras no Scud, e ele sempre direciona as letras para a realidade do mundo, mas cuidamos para que sempre passe uma mensagem positiva... Já no meu caso, levo minhas letras para um lado mais lúdico, poético e até mesmo abstrato, essa diferença é facilmente notada no CD Clouds Taken By The Wind.
Sobre como esperamos que os fãs nos vejam, é muito relativo isso, pois cada pessoa tem uma imagem e vê as coisas a seu modo único, e isso é muito legal, pois sempre faz a gente se tornar mutável e maleável no nosso som e em diversas atitudes também, mas o feedback que recebemos dos fãs é sempre ótimo, sempre chegam diversos e-mails e recados comentando sobre a “singularidade” do nosso som, e que eles vêem o profissionalismo e a seriedade com que a banda trabalha. Finalizando este assunto, já vejo que os fãs olham para o ,Scud e sentem a positividade e a boa energia que a banda passa, e isso é o mais importante.
Portal Novo Metal - Como foi o tempo “antes da fama”, o começo no meio independente?
Marcelo - (risos) Fama? (risos). Apesar do tempo na estrada, vejo que o Scud agora é que começa a dar seus primeiros passos firmes, não para a “fama”, mas sim em busca de um reconhecimento e que sejamos recompensados para que possamos viver e nos sustentarmos fazendo o que mais gostamos, que é fazer música, gravar e tocar. É como se tivéssemos estudado este tempo todo em uma universidade, e que só agora com o lançamento do CD em 2006 é que saímos em busca de nosso espaço no mercado de trabalho (risos). Acho que ainda somos independentes e dependentes ao mesmo tempo. (risos)
Portal Novo Metal - Conte-nos um pouco sobre a premiação Solcultura 2006.
Marcelo - Esta é uma premiação que acontece no Piauí e que faz um apanhado geral de todo o trabalho musical feito no Estado em 10 categorias. E o Scud ficou muito satisfeito em ter levado a “estatueta” na categoria “rock” pelo trabalho que realizou no ano de 2006. E que junto com esta escolha, já carimbamos nossa participação no Piauí Pop 2007, pois foi realizada uma parceria entre o Solcultura e os organizadores do evento para que os 10 vencedores nas categorias ingressem no Piauí Pop 2007 sem participar das prévias e seletivas.
Esta será a nossa terceira participação no Piauí Pop, onde na edição do ano passado, vencemos uma enquête realizada pelo site oficial do evento, o que nos garantiu tocarmos no palco principal, o espaço “Torquato Neto”, palco este, destinado às atrações nacionais. Com esse prêmio Solcultura dado ao Scud, só fez aumentar nossas responsabilidades, como também, dar-nos a impressão de estarmos no caminho certo.
Portal Novo Metal - Com um estilo próprio, mas fazendo um metal de peso e qualidade, quais as principais influências no som do Scud?
Marcelo - Simplicidade. Vejo a música nossa música como algo direto, sem muita frescura. Não somos virtuosos e nem pretendemos ser, nunca estudamos música, até mesmo porque onde nos estamos não tem quem nos ensine o que queremos tocar, e isso foi até bom, pois serviu para dar uma certa identidade ao som do SCUD, a nossa música é uma coisa que sai espontânea e até com um certo “feeling” próprio, pra não dizer uma “brabeza própria” (risos)
Aprenderemos com o tempo, e sabemos que ainda temos muito que aprender, pois ainda não chegamos ao ápice de nossas carreiras. Sempre lutaremos para lapidar e melhorar cada vez mais o som do SCUD sem a pretensão de ser a melhor banda, mainstream ou coisas do gênero, sempre entre a gente e até mesmo com outros músicos e bandas não rola aquele lance de “é o melhor”, “é a melhor”, “toca mais que outro”, etc... Coisas estas que não levam a lugar nenhum.
Acho “chato” quando fazem enquête e colocam o nome do Scud, dá até vontade de pedir pra tirar o nome (risos). É sério! Falo isso porque ao meu ver não há a “melhor banda” ou “melhor músico”, e sim a “sua banda favorita” o “seu músico favorita”... Não se mede gosto!!! Mas vamos deixar isto de lado.
Voltando novamente ao assunto, sempre seremos fieis aos nossos corações, e sempre vamos fazer músicas que sintamos prazer em tocá-las. O Scud não busca uma moda e nem quer fazer uma,.
Portal Novo Metal - Para você, qual a importância da mídia underground na promoção de bandas de rock independente?
Marcelo - A meu ver, hoje o termo underground tem outra conotação, pelo menos no sentido de mídia. Com o avanço e a rapidez de informação empreendida pela Internet, há vários sites, revistas, webzines que trabalham com bandas chamadas “underground” e independentes, mas que fazem a informação sobre os trabalhos dessas bandas terem uma notoriedade e projeção fantástica.
É de se espantar realmente o poder de alcance destas mídias, não há mais fronteiras, até acho que hoje pra você ser um verdadeiro “underground” você deve se trancar dentro do quarto, não colocar nem uma mp3 de sua banda disponível na Internet, e só sair pra ensaiar na sua garagem e voltar pro quarto novamente. Porque se você botar a cara “fora de casa”, vão falar de você (risos).
Portal Novo Metal - Como é a cena independente no Nordeste?
Marcelo - O Nordeste por ser distante do “grande centro” do rock faz com que todos se surpreendam com o que acontece por aqui. Estamos recheados de bandas excelentes e todas na sua maioria com muita identidade e personalidade própria. Os shows aqui são mais “quentes”, e literalmente quentes mesmo, tanto em público como em clima (risos). Muitas bandas do “grande centro” quando passam com suas turnês pelo Norte/Nordeste se impressionam com o público, tanto em sua agitação como na quantidade, muitos comentam que: “aqui da mais público do que onde moramos”. Realmente estamos longe, do digamos, “acesso às oportunidades”, mas estamos felizes com a nossa cena, pois ela já deu, dá e ainda dará muito o que falar.
Portal Novo Metal - Qual o conselho que vocês podem dar às pequenas bandas que já têm um certo destaque e o que devem fazer pra se manter na cena e crescer?
Marcelo - A persistência e acreditar no seu trabalho mesmo em situações adversas e contrárias é a forma de conseguir vencer as barreiras e obstáculos que a vida coloca. Pois essas dificuldades são a velha e conhecida “seleção natural” que a vida impõem para todos, não só na música, mas como em qualquer outra carreira que o indivíduo queira trilhar.
Portal Novo Metal - Bom, isso é tudo. Agora o espaço é seu
Marcelo - Primeiro agradecer por terem lido até aqui (risos). E dizer que sejam sempre livres de opinião e que sejam abertos para as coisas novas que sempre surgirão... Vivemos num mundo que a mutação ocorre da noite para o dia, ir contra ela é estar fadado a nadar sempre contra a correnteza... Presto-me até a ser um exemplo, eu mesmo fui um defensor ferrenho do vinil quando começaram a falar em CD... Resultado: Perdi!!! (risos) Apesar de ainda ter todos os meus LPs intactos e meu toca-discos funcionando, pois nunca trocarei minha coleção completa do Jetrho Tull em vinil por CDs (risos). E podemos ver essas mutações em diversos casos, como, VHS x DVD, Impresso x Internet, CD x MP3, etc.
Isso também acontece na musica, uma hora é um estilo, outra hora é outro, sendo assim, caberá sempre a você procurar a sua identidade e personalidade nos mais diversos caminhos que você pretende percorrer. Isso fará com que todos nos sejamos mais forte de espírito e com isso, uma nação mais politizada.
Colaborou na entrevista: Adolfo Decrescenzo


